Doação de medula óssea, generosidade que salva vida

Matheus Agostini Ribeiro Batista

“É uma reviravolta na vida de todos.” A declaração é de Ramiro Ribeiro Batista, pai de Matheus Agostini Ribeiro Batista, sobre os dois diagnósticos de câncer enfrentados pelo filho em menos de dois anos. Matheus se tornou conhecido em Chapecó e região, principalmente nas redes sociais, onde desenvolveu-se uma grande campanha em busca de um doador compatível com o jovem, que necessitava de um transplante de medula óssea.

Atualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer, que coordena o registro nacional de doadores voluntários de medula óssea, há mais de 4 milhões de inscritos no Brasil. Com isso, a chance de se encontrar um doador compatível pode chegar a 64%. No calendário oficial de datas comemorativas, em 6 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Doador de Medula Óssea. Porém, mesmo com dados animadores, a busca por um doador compatível nem sempre é uma luta fácil.

O primeiro diagnóstico de Matheus veio em setembro de 2014, quando foi descoberta uma Leucemia Mieloide Aguda. “Segundo a médica responsável pelo tratamento, aquela primeira Leucemia poderia ser combatida apenas por meio de quimioterapia e foi o que aconteceu. Depois do tratamento, Matheus estava com 99,99% de cura”, recorda Ramiro.

Após esse período, de janeiro de 2015 a janeiro de 2016, não houve qualquer sintoma de recidiva. Contudo, ainda no final de janeiro de 2016, Matheus desenvolveu um novo tipo de Leucemia. Tal diagnóstico indicava que, desta vez, não haveria alternativa senão o transplante de medula.

Em qualquer diagnóstico de doença grave, a sensação de choque para o paciente e para a família é bem comum. No caso de Matheus não foi diferente. “No primeiro diagnóstico, não tínhamos noção alguma sobre a doença, seus riscos, tratamento e perspectiva de cura. Entretanto, a médica foi categórica ao afirmar que Matheus teve apenas um azar genético e que, infelizmente, seus cromossomos 15 e 17, sofreram mutação e desenvolveram a doença”, conta Ramiro sobre o primeiro contato da família com o diagnóstico.

A partir de então, o nome de Matheus foi cadastrado no Rereme, sistema nacional de cadastro de receptores, que iniciou um rastreamento de compatibilidade no Brasil e no Exterior. Aos poucos, foram aparecendo prováveis doadores, mas, de acordo com Ramiro, os testes de compatibilidade são rígidos e exigem diversas fases até se chegar a um doador com maior porcentagem e compatibilidade. Ao mesmo tempo em que eram localizados, muitos foram sendo descartados. “Até que, após seis meses de buscas e testes, um doador brasileiro superou todas as fases e foi selecionado para doar. Segundo os médicos especialistas, ele era compatível em 90%”, lembra Ramiro.

De janeiro a agosto de 2016, o jovem permanecia 20 dias internado e 15 dias em casa. Durante todo o tratamento da segunda doença, até sua transferência definitiva para Curitiba, onde foi feito o transplante, o Matheus ficou internado no Hospital da Unimed Chapecó.

O doador encontrado não parenteral era melhor que qualquer parente consanguíneo para doar. Após confirmada a seleção, foi realizado um último exame decisivo, que detectaria se Matheus possuía ou não anticorpos contra os 10% ainda não compatíveis e para que os médicos adotassem a melhor estratégia para o tratamento e de menor risco. Então, nas vésperas do transplante, o exame confirmou que não haviam anticorpos e que todo o processo poderia, enfim, ser realizado para que tudo corresse bem. “E foi o que aconteceu, tudo deu certo! ”, finaliza o pai, que aproveita para deixar a seguinte mensagem:

“Ser um doador de medula óssea é, antes de qualquer coisa, um ato de amor ao próximo, um ato difícil de ser mensurado. Saber que somos capazes de salvar outra pessoa e sem perdermos nada, pois, a medula doada se recompõe em duas ou três semanas. E basta que a pessoa se conscientize do ato de doar em vida e salvar uma pessoa, fazendo o cadastramento de doador de medula óssea em qualquer hemocentro do país. Uma ficha cadastral com dados pessoais é preenchida e são coletados apenas 5ml de sangue para que o doador possa fazer parte de um seleto grupo de salvadores de vida. ”

A campanha

Após o segundo diagnóstico de câncer, a família de Matheus soube que nenhum dos parentes próximos a ele era compatível e que a chance de encontrar um doador não parental era de 100 mil até 1 milhão de doadores. Foi então que na cidade de São Miguel do Oeste, a cerca de 130 km de Chapecó, houve um movimento de comoção da população da cidade e região, onde foi desenvolvida a campanha “Amigos do Matheus”. A fanpage criada no Facebook teve o engajamento de mais de 13.300 seguidores e mais de 1.200 novos doadores foram cadastrados.

“Foi um esforço muito grande e gratificante, pois sabíamos que, se não encontrássemos alguém compatível com o Matheus estaríamos também ajudando outras famílias que estavam passando pelo mesmo drama”, relata Ramiro.

Atualmente, segundo o pai, Matheus está ótimo e respondeu muito bem ao tratamento com medicamentos específicos prescritos para o pós-transplante. De acordo com ele, o jovem aguarda com ansiedade o momento em que poderá tomar as vacinas que lhe permitirão voltar a ter uma vida normal e, principalmente, frequentar a faculdade de Música que tanto deseja.

Rádio Efapi com informações da MB Comunicação.

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